3 de junho de 2008

FIM DO DIA

Mais outro dia findou.
Que tenho eu para te ofertar
a não ser este coração, que pouco doou,
mas que também se mortificou
nas lidas do trabalhar
e a muito se calou,
e no silêncio,
o sacrifício te entregou.


Não sem aquela aversão
de ter de ser a santa Marta,
mas naquela condição
de quem tem de continuar
no lugar que traz o cansaço,
e onde há peixes que se farta.

Mas tem de ser ,não é assim?
Cria bem dentro de mim
a pacífica disponibilidade
para amar esta verdade.
Qual cadinho é reparador
por mim e por todo o existir.

Custa tanto, Senhor!

Mas se vontade se libertasse
e só por Ti trabalhasse,
no findar do dia... faria ouvir
a consciência a proferir
a sentença da paz do cumprir,
na alegria dum dever.
Amaria melhor o material...

Numa perspectiva do amanhã,
numa oração em cada momento
tomaria a matéria com outro afã...

Senhor, o todo ou o nada que fiz, To ofereço.
Sei que trunfos não mereço
pela imperfeição com que tudo foi feito
inda que conTigo de permeio.

Mas ao regressar ao leito,
descansa comigo,
sê, como sempre, meu amigo
e guarda-me durante a noite.

Aceita o cansaço que me domina,
quer pessoal, quer afinal, por tudo:
o desejo de sair deste mundo,
o que de mim pensam,
a indiferença que me rodeia,
o não querer saber quem sou,
nem o que devo ser,
a falta de estima pessoal,
e o desejo ardente de morrer.

...ainda a vontade de Te amar,
entre tantos nãos tentadores,
como anjos pérfidos e tentadores.
Só Tu, que és o único Amigo de todas as horas,
com teu olhar , não me censuras,
nem num só momento descuras
os sentimentos de boas intenções
dentre obras a concretizar.

Este cansaço é tanto , Senhor,
que a vida se torna um arrastar
dum corpo com desejos de não prosseguir .

Dá-me forças para levar a cruz ,
e nela me entregar até ao fim.
Só neste ensejo, descortino aquela Luz,
a dar-me forças para a caminhar.

Como vês, o meu sono vai ser agitado,
mas aliviado com o abrir-me para Ti.
OBRIGADO! Amen.

de Ao sabor das ondas

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