
SALMO 118
Revolto-me à vista dos pecadores, que abandonam a vossa lei.
R: Vivificai-me, ó Senhor, e guardarei vossa aliança!
As malhas dos ímpios me cercaram, mas eu não esqueço a vossa lei.
R: Vivificai-me, ó Senhor, e guardarei vossa aliança!
Livrai-me da opressão dos homens, para que possa guardar as vossas ordens.
R: Vivificai-me, ó Senhor, e guardarei vossa aliança!
Aproximam-se os que me perseguem sem razão, eles estão longe de vossa lei.
R: Vivificai-me, ó Senhor, e guardarei vossa aliança!
Longe dos pecadores está a salvação, daqueles que não observam as vossas leis.
R: Vivificai-me, ó Senhor, e guardarei vossa aliança!
Ao ver os prevaricadores sinto desgosto, porque eles não observam a vossa palavra.
R: Vivificai-me, ó Senhor, e guardarei vossa aliança!
Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 18, 35-43
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo São Lucas:
35Ao aproximar-se Jesus de Jericó, estava um cego sentado à beira do caminho, pedindo esmolas. 36Ouvindo o ruído da multidão que passava, perguntou o que havia. 37Responderam-lhe: É Jesus de Nazaré, que passa. 38Ele então exclamou: Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim! 39Os que vinham na frente repreendiam-no rudemente para que se calasse. Mas ele gritava ainda mais forte: Filho de Davi, tem piedade de mim! 40Jesus parou e mandou que lho trouxessem. Chegando ele perto, perguntou-lhe: 41Que queres que te faça? Respondeu ele: Senhor, que eu veja. 42Jesus lhe disse: Vê! Tua fé te salvou. 43E imediatamente ficou vendo e seguia a Jesus, glorificando a Deus. Presenciando isto, todo o povo deu glória a Deus.
- Palavra da salvação.
- Glória a Vós, Senhor
Comentário ao Evangelho do dia feito por São Gregório Magno (c. 540-604)
Papa e Doutor da Igreja
Homilia 2 sobre o Evangelho (a partir da trad. Luc commenté, DDB 1987, p. 140 rev.)
«Jesus, filho de David, tem misericórdia de mim»
Observemos que é quando Jesus se aproxima de Jericó que o cego recupera a vista. Jericó significa «lua» e na Sagrada Escritura a lua é o símbolo da carne votada ao desaparecimento; em determinado momento do mês ela diminui, simbolizando o declínio da nossa condição humana votada à morte. É, pois, ao aproximar-se de Jericó que o nosso Criador faz com que o cego recupere a vista. É ao tornar-Se próximo de nós pela carne, de que Se revestiu, com a sua mortalidade, que Ele torna a dar ao género humano a luz que tínhamos perdido. É porque Deus endossa a nossa natureza que o homem acede à condição divina.
E é precisamente a humanidade que está representada por este cego sentado na beira do caminho e a mendigar, pois a Verdade diz de Si mesma: «Eu sou o caminho» (Jo 14, 6). Aquele que não conhece o brilho da luz eterna é de facto cego, mas se começa a crer no Redentor então fica «sentado à beira do caminho». Se, embora crendo Nele, não Lhe implora o dom da luz eterna, se se recusa a pedir-Lho, será sempre um cego à beira do caminho; um cego que não pede. [...] Que todo o homem que reconhece as trevas que o tornam cego, que todo o homem que compreende que lhe falta a luz eterna grite do fundo do seu coração, grite com toda a sua alma: «Jesus, filho de David, tem misericórdia de mim.»

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