
O dia cinzento anuncia,
por entre a ventania,
um sentir triste que atrofia,
dentro e fora de mim,
um crédito da alegria.
Sabes, Senhor, a razão?
É por dôr e compaixão
que o doer do coração,
de tantos sem lar nem pão,
desconhecem o seu fim.
Ó Inverno, num mal afim,
perdôa este rezingar, sim?!
Esperando um sol brilhante,
és Rosto dum Deus operante,
que tudo permite por Amor,
não por ódio ou furor,
mas para converter o pecador.
Olha, Senhor,aqui estou,
a dar-Te o quanto sou,
num acto de louvor!
Aceita a insensatez,
e purifica-me outra vez.
As chuvas,frio e ventos,
sem queixas nem lamentos,
são achas no fogo devorador,
trazem o oiro purificador.

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